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Pastoral Vocacional - Artigo
ENTREVISTA VOCACIONAL sobre 3o CONGRESSO VOCACIONAL

III CONGRESSO VOCACIONAL DO BRASIL

Tema: "Discípulos missionários a serviço das vocações"

Lema: "Ide, pois, fazer discípulos entre as nações" (cf. Mt 28,19)

Indaiatuba, Itaici, 03 a 07 de setembro de 2010

3º Congresso Vocacional do Brasil

Contagem regressiva

Ângelo Mezzari, religioso Rogacionista e sacerdote há quase 25 anos, participou ativamente do processo de organização dos Congressos Vocacionais do Brasil de 1999 e 2005, e está também na equipe preparatória à terceira edição, que se realiza exatamente daqui a um ano

Com um histórico amplo no serviço de animação vocacional, seja no âmbito de sua congregação ou da Igreja do Brasil, através da participação em comissões ligadas à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) ou do Instituto de Pastoral Vocacional (IPV), o religioso Rogacionista, padre Ângelo Ademir Mezzari, 53 anos, é o entrevistado desta edição. E fala sobre o 3º Congresso Vocacional do Brasil, que será realizado exatamente daqui a um ano, de 03 a 07 de setembro de 2010, em Itaici, município de Indaiatuba (SP). O tema recorda a 5ª Conferência do Episcopado da América Latina e do Caribe, realizado em Aparecida: "Discípulos missionários a serviço das vocações". O lema escolhido vem do evangelista Mateus (28,19): "Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações".

Pe. Ângelo já foi entrevistado outras duas vezes pela

Rogate. Em dezembro de 2002 (edição 208) falou sobre as expectativas de seu governo, ao ser eleito Provincial dos Rogacionistas para a América Latina; em agosto do ano passado (edição 264) refletiu sobre os 15 anos do IPV, do qual participa ativamente desde sua fundação, em 1993. De fato, presidiu a diretoria executiva por nove anos (1993-2002) e atualmente, desde o ano 2002, preside o conselho superior, formado pelos provinciais dos institutos religiosos que compõe a entidade. É natural de Forquilhinha, cidade que na época de seu nascimento era um distrito de Criciúma (SC). Em dezembro deste ano celebra seus 25 anos de ministério presbiteral. Jornalista, foi um dos mentores da revista Rogate, da qual é o "responsável". Mestre em Teologia Dogmática, assessora grupos e outros institutos, auxiliando também na Escola de Preparação para Animadores Vocacionais (ESPAV), do IPV. Pe. Ângelo faz parte da Comissão Executiva que está preparando o 3º Congresso Vocacional do Brasil.

Rogate:

Vamos começar nossa conversa perguntando por que realizar uma terceira edição do Congresso Vocacional do Brasil...

Ângelo:

Esta é uma pergunta comum que fazemos neste tempo em que se divulga e se organiza o 3º Congresso Vocacional do Brasil. O novo evento propõe-se a celebrar a caminhada do serviço de animação vocacional, a aprofundar a teologia das vocações na

"Discípulos missionários a serviço das vocações" "Ide, pois, fazer discípulos entre as nações" (cf. Mt 28,19)

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perspectiva do discipulado e da missionariedade, a consolidar a identidade do animador e da animadora, e do próprio serviço de animação vocacional. Também quer oferecer pistas de ação para o trabalho vocacional. De um lado temos a realidade que nos provoca, de uma multidão cansada e abatida, "o rosto humilhado de tantos homens e mulheres de nossos povos", como afirma o Documento de Aparecida (n. 32), também por falta de pastores, de ministros, de lideranças. De outro, escutamos o apelo da fidelidade ao mandato de Jesus, de anunciar o Reino, de evangelizar, de pedir ao Senhor da messe que envie operários para a sua messe (cf. Mt 9,32-35; Lc 10,2). Deseja-se dar continuidade ao processo de realização dos congressos vocacionais, o que tem acontecido a cada cinco anos aproximadamente. Neste sentido, é importante a fidelidade ao que se fez e viveu, mas também a novidade, capaz de gerar um novo espírito e um novo coração. Pois é sempre tempo para construir o novo na Igreja e no serviço de animação vocacional, tempo de avançar e de planejar, pois todos os "discípulos missionários" são responsáveis e estão a serviço das vocações.

Rogate:

No tema do congresso se percebe o "respiro" de Aparecida. Qual a importância desta ligação?

Ângelo:

De fato, nesta fase de preparação ao congresso pretende-se acolher, como horizonte e referência, não apenas o Documento de Aparecida, com todas as suas indicações, mas também o Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja. Temos as proposições aprovadas pelos padres sinodais e estamos na expectativa de uma Carta Encíclica do papa Bento XVI sobre a temática. Aparecida e o Sínodo darão importantes referenciais teológicos e pastorais para a vida - o discipulado - e o serviço das vocações - a missão. Soma-se a estes dois eventos, a sintonia para com o Ano Sacerdotal, convocado recentemente pelo papa Bento XVI, com o tema: "Fidelidade de Cristo, fidelidade do sacerdote", com o objetivo de fazer perceber sempre mais a importância do serviço e da missão do sacerdote na Igreja e na sociedade contemporânea.

Rogate:

Podemos afirmar que todo o Documento de Aparecida é vocacional?

Ângelo:

O próprio tema refletido na Conferência indica isso, e também o conteúdo do Documento Final aponta nesta direção. E nós, da animação e da pastoral vocacional, nos propomos à "grande tarefa de proteger e alimentar a fé do povo de Deus e recordar aos fiéis deste Continente que, em virtude de seu batismo, são chamados a ser discípulos e missionários de Jesus Cristo" (Documento de Aparecida, 10). Trata-se de um mandato, uma missão que devemos realizar, o de despertar, discernir, cultivar e acompanhar a vocação dos batizados para que sejam verdadeiramente "discípulos missionários" de Jesus Cristo. Esta tarefa protetora e alimentadora da fé, e de memorial, também é nossa, e queremos cada vez mais assumi-la integralmente. A ordem de Jesus é explícita, objetiva, é ir, e fazer discípulos. O Documento de Aparecida, em seu número 100, recorda que entre tantos desafios enfrentados pela Igreja, constata-se também o número insuficiente de sacerdotes e sua não equitativa distribuição, e a relativa escassez de vocações ao ministério e à vida consagrada. Certamente esta carência pode ser estendida aos demais ministérios, somos testemunhas e temos consciência disso. À escassez, ao número insuficiente e a uma não justa distribuição, mais do que ninguém, na Igreja, deve se interessar o serviço de animação vocacional.

Rogate:

A dinâmica utilizada nesta terceira edição será a mesma dos dois eventos precedentes?

Ângelo:

O 3º Congresso, a exemplo dos anteriores, pela sua metodologia organizativa, vai permitir uma participação diversificada e qualificada de animadores e animadoras vocacionais,

"Discípulos missionários a serviço das vocações" "Ide, pois, fazer discípulos entre as nações" (cf. Mt 28,19)

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nas suas diversas fases. O simples fato de estar juntos e se encontrar, de refletir e partilhar as próprias práticas, de celebrar e propor metas e diretrizes, favorecem uma convergência nas prioridades e nas ações, nos princípios e valores, garantindo a unidade no caminho e a riqueza das vocações para a vida e a missão da Igreja no mundo. O congresso é sempre fruto de um processo profundo do serviço de animação vocacional, sua identidade e missão. Os anteriores se abriram para as questões da antropologia e da cultura vocacional, da inculturação e da evangelização, da oração e da espiritualidade, da integração das pastorais, da pedagogia e do planejamento, do itinerário vocacional. Este vai enfocar a temática do "discipulado missionário" no serviço das vocações, iluminando todas as questões anteriores já tratadas e apontando os novos desafios a serem enfrentados. Certamente o uso do método "ver, julgar e agir" poderá colaborar para que vivamos mais intensamente nossa vocação e missão na Igreja. Recordamos que o 2º Congresso Vocacional também abordou a temática metodológica, sugerindo no serviço de animação vocacional uma metodologia de planejamento participativo, contemplando uma análise da realidade (marco situacional), a iluminação da fé (marco doutrinal) e a ação e programação (marco operacional).

Rogate:

Garantir a unidade no caminho vocacional da Igreja no Brasil, de fato, é um grande desafio. Como acontece isso na prática?

Ângelo:

Sabemos que no caminho da evangelização não é suficiente realizar um novo evento, isolado de todo o processo até aqui feito, com suas riquezas e também limites. As condições favoráveis para a realização do 3º Congresso e o seu planejamento, feito com antecedência, deverão envolver certamente todas as instâncias e os setores eclesiais, fazendo chegar às comunidades, aos grupos, às equipes e coordenações vocacionais, aos vocacionados, a reflexão proposta, favorecendo e estimulando a participação e co-responsabilidade. Fundamental é a preparação, a oração persistente, o aprofundamento temático, a articulação, o estabelecimento de prioridades, e uma programação que incida após o congresso nos planos e projetos da própria conferência episcopal e comissão específica, dos Regionais, das dioceses e suas comunidades. O que se deseja é que na Igreja, povo de Deus, por sua graça e benignidade, haja um novo florescimento de vocações, como expressão da riqueza, multiplicidade e complementaridade de dons, carismas e ministérios.

Rogate:

"Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações", é o lema do congresso. Faz parte dos últimos versículos do evangelho de Mateus, que se conclui exatamente afirmando que Jesus estará conosco todos os dias, até o final dos tempos. Espera-se dos discípulos que partam em missão. E quem ainda não é discípulo?

Ângelo:

O 3º Congresso se propõe, e certamente dele se espera, do ponto de vista temático e pastoral, que na animação vocacional e no trabalho de seus agentes, se garanta a centralidade do encontro com a pessoa de Jesus Cristo e a conversão pastoral. De fato, na missão evangelizadora, o serviço de animação vocacional, como um instrumento do Espírito de Deus, terá como tarefa fundamental fazer com que os vocacionados tenham um "encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, que dá novo horizonte à vida e, com isso, uma orientação decisiva", como afirma o Documento de Aparecida (n. 12). Neste sentido podemos falar da necessidade de promover a "pedagogia do encontro" com Jesus Cristo, que desperte e forme autênticos "discípulos missionários". Pois, como se vê no mesmo Documento de Aparecida, "conhecer Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas; e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria" (n. 29).

"Discípulos missionários a serviço das vocações" "Ide, pois, fazer discípulos entre as nações" (cf. Mt 28,19)

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Rogate:

O senhor falava de conversão pastoral...

Ângelo:

Exato. O 3º Congresso Vocacional do Brasil será um espaço propício para provocar e estimular no serviço de animação vocacional uma conversão pastoral e renovação missionária, que deve "impregnar todos os planos pastorais de dioceses, paróquias, comunidades religiosas, movimentos e de qualquer instituição da Igreja", conforme o Documento de Aparecida (n. 365). A conversão implica em escutar com atenção e discernir "o que o Espírito está dizendo às Igrejas" (Ap 2,29) através dos sinais dos tempos, onde Deus se manifesta. Para tanto, se exigem atitudes de abertura, diálogo e disponibilidade para promover a corresponsabilidade e a participação efetiva de todos. Urgência pastoral na animação vocacional é o testemunho de comunhão eclesial e de santidade de vida.

Rogate:

O que diria para as comunidades de base que estão começando agora a se preparar para o congresso?

Ângelo:

Neste processo preparatório ao Congresso Vocacional é preciso ter confiança no Senhor da messe, manter viva a esperança, prodigalizar-se no amor compassivo e misericordioso. "Não tenham medo" (Mt 28,5), pois o que nos define é o amor recebido do Pai graças a Jesus Cristo pela unção do Espírito Santo. Confiança significa superar a apatia e o desânimo, vencer a passividade e empenhar-se, pois o que nos impele é o amor de Jesus Cristo. Como Igreja e na Igreja, no serviço de animação vocacional, queremos assumir cada vez mais o desafio de promover e formar discípulos e missionários que respondam à vocação recebida. O melhor serviço que a animação vocacional pode prestar, como ação evangelizadora e atividade eclesial da fé, é que "Jesus Cristo seja encontrado, amado, adorado, anunciado e comunicado a todos", conforme bem definiu o Documento de Aparecida (n. 14). O 3º Congresso, cuja preparação já iniciamos, será um espaço apropriado para proclamar que a própria vocação, a própria liberdade e a própria originalidade são dons de Deus para a plenitude e o serviço do mundo. Não só! Será ocasião também para participar e contribuir com o despertar missionário, seguros de que a Providência de Deus nos proporcionará grandes surpresas, citando Aparecida (n. 551).

Rogate:

Uma mensagem final aos nossos animadores vocacionais...

Ângelo:

Somos chamados, como "discípulos missionários", a servir mais plena e intensamente as vocações na Igreja. E convocados a colaborar, onde for possível e nas instâncias em que estamos envolvidos, com a preparação, realização e concretização das deliberações do 3º Congresso Vocacional do Brasil, para que todos os seus objetivos sejam atingidos. Neste caminho, contamos com o auxílio da Virgem Maria, a "discípula missionária". Pedimos que nos ensine a responder como fez ela no mistério da anunciação e encarnação. Somos chamados a permanecer na sua escola, mantendo vivas as atitudes de atenção, de serviço, de entrega e de gratuidade que devem distinguir os discípulos de seu Filho. Com Maria podemos aprender a sair de nós mesmos e a acolher o mandato de Jesus: "Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações"!

"Discípulos missionários a serviço das vocações" "Ide, pois, fazer discípulos entre as nações" (cf. Mt 28,19)

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Data:

03 a 07 de setembro de 2010 Tema: "Discípulos missionários" a serviço das vocações Lema: "Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações" (cf. Mt 28,19)

Objetivo geral:

Aprofundar o tema do "discípulo missionário" a serviço das vocações, em uma Igreja ministerial, na construção do Reino de Deus.

Objetivos específicos:

    • a) celebrar a caminhada do serviço de animação vocacional;
    • b) aprofundar a teologia das vocações na perspectiva do discipulado e da missionariedade, à luz de Aparecida;
    • c) consolidar a identidade do animador e do serviço de animação vocacional na fonte da Palavra de Deus;
    • d) oferecer pistas de ação para o serviço de animação vocacional, insistindo particularmente no itinerário e no planejamento vocacional.

    Justificativa:

    Realizar o 3º Congresso Vocacional como expressão da caminhada vocacional da Igreja no Brasil, no processo de continuidade de realização dos congressos, acolhendo as orientações do Sínodo sobre a Palavra de Deus e da Conferência de Aparecida, com seus referenciais para a vida (discipulado) e para o serviço das vocações (missão).

    Estratégias:

      • a) cronograma das principais ações (antes, durante e depois);
      • b) Instrumento de Participação, como subsídio de reflexão para as Igrejas Particulares, equipes e seus animadores vocacionais;
      • c) motivar e divulgar o evento.

      Responsáveis:

      CMOVC-CNBB (Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e Comissão Executiva do Congresso.

       

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